logos boethikos
"Os hypomnemata não deveriam ser encarados como um simples auxiliar de memória, que poderiam consultar-se de vez em quando, se a ocasião se oferecesse. Não são destinados a substituir-se à recordação porventura desvanecida. Antes constituem um material e um enquadramento para exercícios a efectuar frequentemente: ler, reler, meditar, entreter-se a sós ou com outros, etc. E isto com o objetivo de os ter, segundo uma expressão que reaparece com frequência, procheiron, ad manum, in promptu. "À mão" portanto, não apenas no sentido de poderem ser trazidos à consciência, mas no sentido de que se deve poder utilizá-los, logo que necessário, na acção. Trata-se de constituir para si próprio um logos boethikos, um equipamento de discursos a que se pode recorrer, susceptíveis - como diz Plutarco - de erguerem eles próprios a voz e de fazerem calar as paixões, como o dono que, com uma só palavra, sossega o alarido dos cães."
A escrita de si
in FOUCAULT, Michel. O que é um autor?. Lisboa, Vega, 1992.
A escrita de si
in FOUCAULT, Michel. O que é um autor?. Lisboa, Vega, 1992.

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